Comportamento: Tendência ou Escolha?

Todo mundo já ouviu falar que as máquinas tomarão o lugar dos humanos no mercado de trabalho. Os números são mesmo assustadores: 800 milhões de empregos deixarão de existir até 2030, de acordo com a McKinsey Global Institute. Mas a notícia mais assustadora não é a transformação que a tecnologia promove no mercado de trabalho, mas o fato de que vagas de trabalho são extintas diariamente por culpa, única e exclusivamente dos humanos. E não estou falando de qualificação profissional, não. 

Hoje o comportamento é o principal entrave ao crescimento profissional 

Essa fraqueza é visível de ponta a ponta: do jovem profissional, que dá ainda os primeiros passos no mundo corporativo, ao executivo sênior, que almeja liderar uma organização dentro ou fora do país. A automação, a robótica e a inteligência artificial somente agravam essa situação, já que o elemento humano é e continuará sendo fundamental para o sucesso de qualquer empreendimento e de qualquer nação. 

É por isso que sempre lanço a pergunta: 

Você acha que comportamento é tendência ou escolha?

Essa questão coloca uma pulguinha atrás da orelha de diversos perfis de profissionais – dos mais maduros aos mais inexperientes. O que eu mais vejo nas empresas, nas palestras ou nas sessões de coaching são pessoas se sentindo injustiçadas por não conseguirem uma posição, listando todo tipo de desculpa e de culpados, exceto a si mesmo. 

Uma pesquisa feita pela Catho em 2018 traz um bom retrato do que estou falando. Para 218 recrutadores consultados, as maiores dificuldades das empresas na contratação de jovens são:

  • o comportamento: 48%
  • a falta de qualificação profissional: 25%
  • a falta de experiência profissional: 16%
  • a economia do país: 7%
  • a ausência de conhecimento de um segundo idioma: 3%

A Catho também ouviu o outro lado, a faixa mais afetada pelo desemprego no país. A amostra de 1496 jovens de até 25 anos revelou que os principais entraves para conseguir uma colocação.

Na opinião deles, são: 

  • a falta de oportunidades: 75%
  • a falta de experiência profissional: 48%
  • a economia do país: 16%
  • baixa qualificação profissional: 14%
  • não ter um segundo idioma: 12%
  • substituição de mão de obra por tecnologia: 3%
  • comportamento: 1%
  • outros: 7%

Observe que somente 1% apontou o próprio comportamento, seja na entrevista ou nas redes sociais (sim, elas contam!!), como a principal barreira rumo ao sucesso. 

Digo mais: qualquer executivo de Recursos Humanos ou líder empresarial não só reforçará o resultado da pesquisa, como também destacará que os jovens não são os únicos a ter uma conduta inadequada. No meu primeiro livro, Bora Fazer Valer a Pena, dediquei um capítulo ao tema, tamanha a importância da atitude para o sucesso de qualquer indivíduo. 

E justiça seja feita: vejo muitos profissionais experientes agindo como aqueles jovens entrevistados pela Catho, ou seja, sem autorresponsabilidade alguma pelo que fazem e dizem. Quando dou aquela espremidinha, a reação é sempre a mesma: 

— Mas que culpa eu tenho, Tati?! Eu sou assim, nasci assim, fui mal interpretado, me pegaram para Cristo. 

Pois é, eu montei uma palestra para falar de comportamento e escrevi esse livro para dar uma boa e uma má notícia a toda e qualquer pessoa, independentemente da idade e condição econômica, interessada em se desenvolver. 

Preste bem atenção no que vou dizer: 

Má Notícia

Você, só você, está obstruindo o seu sucesso.

Boa Notícia 

Mais do que nunca, o sucesso está nas suas mãos. 

Só depende de você se dar conta de que alguns comportamentos não são compatíveis com os valores da. Você não precisa viver em um eterno looping, repetindo atitudes e comportamentos – principalmente, aqueles que prejudicam seus relacionamentos ou o seu desempenho no trabalho. Seu comportamento está enraizado e até cristalizado em você, mas será mesmo que é imutável?  

Para abrir seu apetite para essa conversa, vou compartilhar uma experiência pessoal. Eu sempre fui tímida – principalmente, diante de multidões ou pessoas desconhecidas. Esse comportamento nasceu lá na minha infância. Relacionamento interpessoal sempre foi, acredite se quiser, um desafio para mim. Por quê? 

Primeiro, porque eu me achava inferior à maioria de meus colegas; e segundo, porque me sentia insegura ao transmitir uma ideia para muitas pessoas simultaneamente. Isso tanto é verdade que, ao reencontrar alguns amigos de infância e adolescência, eles me surpreenderam com a seguinte pergunta: 

— Tati, você sempre foi tão quietinha, tão na sua. O que aconteceu para você mudar tanto?

Eles não conseguiam associar aquela criança e adolescente à adulta, que hoje é empreendedora, palestrante, autora de livro e dona de canal no Youtube. Reconheço que a mudança é realmente de 180º. Ao longo do meu livro, vou te  contar como isso e por que isso aconteceu. 

 

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